Tudo o que você precisa saber sobre a uva Merlot


Tudo o que você precisa saber sobre a uva Merlot

Que Merlot e Cabernet Sauvignon são as duas uvas tintas mais usadas no mundo na produção de vinho, você talvez já saiba. Mas, por acaso, conseguiria diferenciar uma da outra?

Antes de propor esse desafio, vamos passar uma “cola” bem completa com tudo o que você precisa saber sobre a uva Merlot, sua origem, principais características e dicas de harmonização! Quer ver? Então, fique de olho!

De onde vem a uva Merlot?

A origem do nome “Merlot” é levemente controversa, mas, de maneira geral, há um consenso quanto à sua relação com o pássaro-preto (ou merlo), chamado de merle na França. Aquele mesmo da canção de Paul McCartney.

Só não se sabe bem se a uva foi apelidada de “merlinha” (merlot) por causa de sua cor negro-azulada, como as penas da ave, ou porque é uma das preferidas do pássaro, que vira praga para os vinicultores no momento da colheita!

De qualquer jeito, sua história começa na França, embora seja hoje uma das uvas mais cultivadas no Novo Mundo. Acompanhe!

Dica: Afinal, o que é que tem em Champagne?

História

Assim como diversas outras variedades de uvas viníferas vieram do Oriente Médio para conquistar a Europa ao longo da história do vinho, a Merlot também teria sido trazida à França de lá. Aliás, seu primeiro registro de uso na fabricação do vinho é relativamente recente, datando de 1784, na região de Bordeaux.

De acordo com os cientistas que estudam as uvas e videiras — que, para quem não sabe, se chamam ampelógrafos —, a Merlot é, como suas irmãs Carmenère e Cabernet Sauvignon (outras duas francesas bem famosas), descendente da Cabernet Franc.

Atualidade

Apesar de só ter aparecido no século XVIII, não demorou para a Merlot se espalhar de Bordeaux para o mundo. Em 1855, ela já aparece nos registros de uvas tintas cultivadas na Itália com o nome de Bordò, sendo hoje, como dissemos, a segunda mais cultivada do planeta.

Um fator que favoreceu esse sucesso estrondoso foi sua adaptabilidade ao clima dos vinicultores do Novo Mundo, dentre os quais o Brasil vem se destacando desde a década de 1970. De fato, a uva gostou tanto da Serra Gaúcha que há quem diga que ela deveria ser o emblema da nossa principal região produtora de vinho, já pensou?

Para se ter uma ideia, apenas metade da produção mundial de Merlot vem da região de Bordeaux (onde ocupa o dobro de hectares cultivados com Cabernet Sauvignon). O restante está distribuído pelas mais variadas localidades como Israel, Romênia, México, Califórnia, Nova Zelândia, Suíça, África do Sul, Canadá, Chile, Uruguai, Argentina e, claro, o Brasil.

Quais são suas principais características?

Outra polêmica em torno da Merlot — dessa vez bem mais controversa que a questão do nome — tem a ver com o momento de colheita das uvas. A coisa é tão séria que acabou dividindo o estilo de produção em dois, dependendo do momento em que a uva é colhida, acredita? Entenda!

Padrão internacional

Uma das grandes vantagens do cultivo da Merlot fora da Europa é o fato de ela amadurecer rápido e poder ser colhida bem cedo, antes que chuvas e outros problemas climáticos possam prejudicá-la. Para alguns, no entanto, na realidade ela fica muito mais gostosa quando é deixada por mais tempo no cacho, já que fica ainda mais doce.

Esse é o padrão mais usado nos vinhos produzidos no Novo Mundo com a Merlot. Suas características são:

  • Aroma mais intenso e perfumado;

  • Sabor e aroma de cerejas ou ameixas bem maduras e doces;

  • Taninos macios e maduros;

  • Menor acidez.

Padrão francês

A segunda “linha”, por assim dizer, de produção de vinhos com a Merlot, prefere a colheita no momento certo, sem deixar que ela amadureça demais. De acordo com os puristas, esse método permite que a bebida mantenha sua elegância e leveza originais, deixando-a mais fresca e aumentando sua longevidade.

Dica: Produção do vinho: como acontece a fermentação da uva?

No Brasil, como na França, essa é a forma de cultivo predominante, já que ajuda a proteger as videiras das chuvas de verão. As características do vinho feito com a uva colhida “na hora” são:

  • Aroma intenso, mas mais discreto;

  • Sabor e aroma mais frescos, de frutas azedinhas como morango ou framboesas;

  • Taninos macios e sedosos;

  • Acidez ainda moderada, mas maior do que na colheita tardia.

Blend ou varietal

Tanto em uma linha como na outra, quando comparada a outras uvas, a Merlot chama a atenção por ser frutada e aveludada, mais um motivo pelo qual é tão popular no mundo!

Os vinhos varietais, isto é, feitos só com Merlot, geralmente são bem suaves e fáceis de beber. Já nos blends (principalmente com Cabernet Sauvignon e Tannat), essa uva ajuda a amaciar os taninos, como acontece no Bordô.

Quando é amadurecido em barris de carvalho, o Merlot fica ainda mais macio e ganha um gostinho que lembra café, baunilha, chocolate e especiarias.  

Como acertar nas harmonizações com Merlot?

Quando o assunto é combinar um vinho feito com Merlot com a comida, essa uva é bem eclética, já que não está em nenhum extremo de acidez, taninos ou doçura. Para fins de comparação, poderíamos dizer que é como se fosse um meio-termo entre Syrah e Pinot Noir.

Os varietais de Merlot harmonizam bem com frango ou carnes vermelhas (de bife de boi a pato, coelho e cordeiro), frios como salaminho, presunto, etc., queijos de quase todo tipo, legumes cozidos ou assados, ervas e especiarias, funghi, massas com molho vermelho, risotos e muito mais.

O único “senão” do Merlot são as comidas apimentadas, que podem se sobrepor à suavidade do vinho, além das saladas de folhas e peixes, que não dão certo com seu sabor.

Nos blends, como os vinhos Bordô que usam Merlot e Cabernet Sauvignon, as carnes vermelhas de todo tipo combinam-se com os taninos para deixar toda a refeição mais saborosa. Vale harmonizar até com hambúrguer e churrasco! Nesse caso, fuja apenas dos pratos leves demais, que vão ser quase apagados pelo poder do vinho, ok?

Agora que você já sabe tudo sobre a uva Merlot e os vinhos produzidos com ela, será que conseguiria diferenciá-la da Cabernet Sauvignon pelo paladar ou aroma? Faça uma degustação em casa, compare com as características que listamos e coloque o conhecimento que acabou de ganhar em prática!

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18/01/2018


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