Vinho rosé: entenda mais sobre a elaboração e porque sua acidez é tão importante


Vinho rosé: entenda mais sobre a elaboração e porque sua acidez é tão importante

O universo dos vinhos é bastante vasto, e as pessoas que permitem aventurar-se por ele descobrem uma gama imensa de sensações. São texturas, aromas, sabores, cores e combinações inusitadas, que não cansam de surpreender nossos sentidos.

Engana-se quem pensa que os vinhos são apenas tintos ou brancos. De delicados espumantes a saborosos vinhos licorosos, ao longo dos séculos os produtores foram criando e aperfeiçoando novos estilos de fermentados, aumentando os horizontes da enologia e encontrando novas e criativas formas de agradar a diferentes paladares.

Uma dessas variações é o vinho rosé. Famoso por sua capacidade de encantar e atrair olhares, o vinho rosé conquista fãs ao redor do mundo, sobretudo em países de clima quente como o nosso. Esse tipo de vinho é caracterizado pela leveza, pelo frescor e, é claro, pela sua coloração única.

Se você ainda não teve a oportunidade de experimentar um rosé que encantasse seu paladar ou mesmo se já aprecia, mas deseja aprimorar seu conhecimento, continue a leitura deste artigo. Aqui vamos nos aprofundar e explorar as técnicas de elaboração, suas características mais marcantes no momento do consumo e a melhor forma de degustá-los. Acompanhe!

Saiba o que é o vinho rosé e como ele é elaborado

Durante muitos anos, o vinho rosé não gozou de muita popularidade ao redor do mundo. Em parte, acredita-se que isso tenha acontecido pela ideia de que ele era produzido pela simples mistura entre um vinho tinto e um branco, como em uma espécie de diluição.

Assim, a partir de uma percepção equivocada de que vinhos tintos seriam sempre e necessariamente superiores aos brancos, criou-se uma percepção de que o rosé seria uma bebida mista e sem qualidade.

Embora o vinho rosé se coloque sensorialmente entre o tinto e o branco, apresentando alguns traços de cada, reduzi-lo a uma simples diluição de tintos é injusto com um fermentado tão excepcional.

Para muitos consumidores são frequentes as dúvidas inerentes a elaboração dos vinhos rosés. Existem basicamente três técnicas para elaborar um rosé: a maceração curta, o corte ou a sangria. Todas são válidas, porém fica ao critério do enólogo determinar qual será mais proveitosa. 

Dica: Saiba tudo sobre o vinho rosé: o queridinho do momento!

Maceração curta

No início do processo de elaboração de qualquer vinho, as uvas são delicadamente esmagadas para que o mosto (suco) seja extraído. O tempo em que o mosto permanece em contato com as partes sólidas da uva, como cascas e sementes, é chamado de maceração, e determina, entre outras coisas, a coloração do vinho, observando que os compostos corantes estão na casca da fruta. 

Dessa forma, na elaboração do vinho branco os sólidos são retirados imediatamente, e nos vinhos tintos eles ficam em contato com o mosto por dias ou semanas. Para originar o vinho rosé, o período de maceração é reduzido, não ultrapassando muitas horas, ficando somente o suficiente para garantir a coloração rosada. Essa técnica também pode ser chamada de maceração pré-fermentativa e atualmente é a mais utilizada o mundo enológico. 

Corte

Também chamado de blend ou assemblage, esse método consiste em misturar vinhos tintos e brancos. Pode parecer simples, mas a harmonia perfeita entre as duas partes (ou mais) necessita de cautela, para que o produto torne-se agradável e suporte o passar do tempo. 

Curiosamente essa técnica é utilizada para produzir apenas extremos: vinhos rosé de qualidade duvidosa ou excepcionais espumantes rosados, como os exemplares oriundos da região de Champagne.

Sangria

Logo no início do processo de fermentação, para elaboração do clássico vinho tinto, cerca de 10% do líquido (já apresentando coloração rosada) é retirado ou "sangrado" do tanque original para outro recipiente. Sendo assim, as fermentações são finalizadas em separado, onde o fragmento de 10% mantem-se como vinho rosé e o restante resulta em um concentrado vinho tinto.

Também conhecida como saignée, essa técnica é a mais rara das três, mas também a que produz fermentados de alto padrão. Geralmente, são rosés mais concentrados em cor e estrutura. 

Entenda mais sobre a acidez do vinho rosé

A acidez do vinho rosé se destaca como um de seus traços mais emblemáticos e, para entendê-la melhor, precisamos conhecer as características fundamentais que constituem o sabor de um vinho.

Existem basicamente cinco sabores perceptíveis pelo nosso paladar, o doce, o salgado, o amargo, o umami e o ácido, e no caso dos vinhos rosé a acidez sempre será a estrela da degustação.  .

Para que possamos identificar o sabor ácido com mais facilidade, pense na sensação que o limão, ou mesmo a maçã verde proporcionam no momento do consumo. A salivação provocada é o principal indicativo do quão ácido é um alimento ou bebida, quanto mais "água na boca", maior será a acidez e frescor do vinho. Para que o vinho alcance o equilíbrio perfeito, a acidez deve estar harmoniosa com os outros sabores, principalmente quando nos referimos à presença do açúcar. 

A acidez do produto final é influenciada por diversos fatores, como o solo, o clima, o tipo de uva, o ponto de maturação da fruta, o processamento, o método de vinificação e também, pelo tempo, pois como o vinho é uma "bebida viva", sempre está em constante modificação. 

De maneira geral, os vinhos brancos e rosés sempre serão mais ácidos que os tintos, pois as uvas são colhidas mais cedo propositalmente. Já os vinhos tintos a acidez é mais comedida, sendo as uvas colhidas mais maduras, pois o tempo em que a fruta permanece nos vinhedos aumenta a concentração de cor e açúcar na matéria-prima, consequentemente diminuindo a acidez do fruto. 

A acidez também é um bom indicador da durabilidade e do potencial de guarda de uma garrafa. Como os vinhos brancos ou rosés possuem poucos polifenóis, os famosos antioxidantes, a acidez torna-se o principal conservante do produto. Sem ela, o vinho dura pouco e podemos chamar o produto de "chato", não se impressione, pois este é um termo usual no mundo enológico. 

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Aprenda a degustar o vinho

degustação de um rosé segue os mesmos rituais que a degustação de outros vinhos, sejam brancos ou tintos. A análise da bebida contempla três momentos: análise visual, análise olfativa e análise gustativa, nessa ordem.

Análise visual

A primeira ação ao degustar um vinho é a análise visual. Incline a taça contra uma superfície branca e clara, a fim de visualizar melhor a cor da bebida. Observe as nuances do tom, se é claro ou mais intenso, se é mais voltado para a cor pêssego ou cereja.

Se observarmos os reflexos de luz no líquido, podemos descrevê-lo como brilhante ou opaco, e quanto mais brilho, mais jovem será o produto e geralmente mais ácido.

Depois, gire a bebida delicadamente dentro taça, a fim de oxigená-la e liberar seus aromas. Você pode fazer isso girando o punho no ar ou com a taça apoiada sobre uma mesa, se não tiver muita prática.

Observe como o líquido nas laterais da taça escorre formando "lágrimas". Se elas descerem de forma lenta e em profusão, é um indicativo de que o vinho possui grande concentração de sólidos e deve apresentar sabor intenso.

Análise olfativa

Talvez uma das análises mais desafiadoras, pois o olfato é o sentido menos utilizado, pelo menos racionalmente. Nosso olfato é capaz de reconhecer mais de 10 mil aromas distintos, e cada vinho possui um perfil aromático único, dependendo das uvas, do processo de elaboração, do terroir e de uma infinidade de fatores.

Ao sentir os aromas do vinho, faça uma comparação entre o líquido menos oxigenado e, posteriormente, mais oxigenado. Você perceberá nitidamente a diferença, pois o oxigênio otimiza a liberação dos aromas, tendo em vista que todos os aromas são voláteis.

Dica: O que é Terroir?

Mais do que reconhecer aromas, procure perceber se o conjunto do vinho é agradável e como você reage a ele. E lembre-se que análise olfativa não é difícil, mas precisa de treino e dedicação.

Análise gustativa

Por fim, prove o vinho com um gole generoso. Deixe que a bebida passeie pela sua boca e perceba os estímulos. Ele é mais ou menos adstringente? Qual é o seu teor de acidez? Ele apresenta notas minerais? Como é o dulçor?

Perceba também o corpo do fermentado, a sensação de peso (densidade) que ele gera na boca. Depois de engolir, veja se os sabores permanecem na boca por muito ou por pouco tempo. Uma dica importante é sempre dar o segundo gole, pois o primeiro serve para preparar o paladar, podendo ser mais impactante. 

Como vimos, a acidez do vinho rosé é uma das muitas qualidades dessa bebida excepcional, que tem tudo a ver com o nosso clima tropical. Aproveite para conferir também fatos e curiosidades sobre vinhos portugueses!




Por
16/08/2018

Enólogo e Embaixador da Marca.


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