Harmonização: a música pode influenciar no sabor do vinho?


Harmonização: a música pode influenciar no sabor do vinho?

Os amantes de um bom vinho, com certeza, já passaram por alguma experiência de harmonização. Sabemos que vários itens modificam o sabor da bebida, como a comida, o ambiente, a temperatura e até mesmo o perfume das pessoas ao redor. Uma nova corrente de estudos, no entanto, mostra que música e vinhos também têm uma relação de sabor.

Charles Spence, professor de psicologia experimental na Universidade de Oxford, na Inglaterra, liderou uma equipe de pesquisa para investigar como os sabores interagem com algumas propriedades do som, como o passo e o tempo.

O pesquisador está interessado não só em combinar vinhos e música, mas também em entender qual a atmosfera da refeição perfeita. Com essa pesquisa, ele já descobriu que o sabor dos alimentos e das bebidas é influenciado pelo ambiente. Assim, se o ambiente está agradável, o sabor da comida também estará.

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Resultados diferenciados

Essa pesquisa conseguiu alguns resultados interessantes. As pessoas que participaram do estudo disseram que vinhos tintos pesados, como o Malbec, combinam melhor com instrumentos como órgão, por exemplo. Já para apreciar um vinho branco leve, como um Sauvignon Blanc, as melodias escolhidas eram bem mais delicadas, como o toque de uma harpa

De forma geral, percebeu-se que a música influencia no sabor do vinho, transformando-o para ter a mesma comoção que a melodia. Ou seja, se você ouvir uma música rápida e impactante, o vinho passará essa exata impressão. Porém, se a música for calma e lenta, a experiência também será influenciada.

Ciência entre música e vinhos

Quando falamos sobre descobertas científicas, é preciso sair da teoria e ir para a prática. Por isso, alguns sommelières e enólogos já estão testando as possíveis harmonizações entre esses dois elementos. Entre eles, Clark Smith, que largou o curso no MIT para se dedicar à produção de vinhos da R.H.Phillips'.

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Uma das maiores características de Smith é nunca estar satisfeito com as regras de consumo de vinho. Por isso, ele se jogou na discussão da harmonização entre vinhos e música e tem realizado diversas experiências com o público nesse setor.

Ele acredita que o tálamo, área central do cérebro que processa estímulos, envia as harmonias ao sistema nervoso simpático e aos lóbulos frontais. Essas áreas são responsáveis pelas sensações de calma e de prazer, respectivamente.

Já os conflitos são processados nos sistemas parassimpático e límbico, que são utilizados em situações de estresse que necessitam de luta e fuga. Sendo assim, não dá para ignorar a ideia que conseguir harmonizar a melodia e o sabor pode produzir uma experiência mais saborosa ao enófilo.

Teste de harmonizações

Um ponto em que os dois pesquisadores acreditam é que, quando a bebida harmoniza com a canção, o barulho causado por ela passa despercebido. Para descobrir quais combinações agradam mais, é possível fazer várias experiências e anotar os resultados — assim como Clark Smith faz com seus participantes. 

Uma das ideias mais simples é reunir um grupo de amigos com uma seleção de seis vinhos de sabores bem diferenciados. Da mesma forma, é preciso selecionar de 10 a 12 músicas bastante variadas. Procure estilos musicais diferentes, como jazz, funk e clássicas.

VILLA-LOBOS CABERNET SAUVIGNON RAÍZES TERROIR SAUVIGNON BLANC ARTE ESPUMANTE BRUT ROSÉ 12 MESES NATURELLE TINTO LEOPOLDINA TERROIR MERLOT GRAN RAÍZES CORTE 

Confira algumas sugestões para você fazer essa experiência com seua amigos. Clique nas imagens acima e veja mais detalhes de cada vinho!

Depois, basta promover a degustação com cada uma das músicas. A melhor forma de fazer a análise é anotar o que cada um achou sobre a experiência e pedir para que  os participantes escolham as três melhores combinações. Depois, é possível debater os resultados e as harmonizações obtidas.

Demonstração de Clark Smith

O próprio Clark Smith ensina em seu site Post Modern Wine Making como reproduzir a demonstração que ele costuma fazer. Ele traz algumas sugestões de vinho para tal, que podem ser substituídas de acordo com a disponibilidade e com a preferência, desde que respeitados os estilos de cada um. São eles:

  1. Para fazer sorrir: o estilo "saboroso" deve ser representado por um vinho simples, frutado, com um leve açúcar residual.
  2. Para explodir seus ouvidos: o estilo "uau" necessita de um vinho saborizado com carvalho, rico, poderoso e amanteigado.
  3. Para fazer pensar: o estilo "a-ha" requer vinhos com acidez alta, mineral, com final longo e restrito. Espumantes encorpados são a pedida para esse caso.

As músicas utilizadas são "California Girls - The Beach Boys", "St. Louis Blues - Ella Fitzgerald" e "Jeru - Chet Baker/Gerry Milligan". Para um exercício de blending, Smith sugere "Rondine Nido - Pavarotti" como uma música interessante para tentar harmonizar com os três vinhos sugeridos. 

O ideal é que a experiência seja executada em um local com aparência serena e bem iluminado. Uma decoração opressiva, por exemplo, pode influenciar no resultado, por isso, deve ser evitada. As músicas não precisam tocar por inteiro, cerca de 15 segundos de cada já é suficiente para vivenciar a experiência.

Lembre-se também de que variar muito nos vinhos e músicas utilizados pode ter um resultado de harmonização ruim. Por isso, é indicado que experiências mais ousadas não sejam feitas em eventos com convidados, pois alguns podem não gostar das combinações escolhidas.

Dicas para harmonizar vinhos e músicas

Ouvir uma boa música acompanhada de um excelente vinho pode ser, por si só, uma experiência deliciosa. Por isso, em um momento de apreciação, sem a necessidade de experimentar diversos vinhos, você pode escolher as melhores canções baseando-se nas combinações básicas:

Vinhos tintos preferem músicas com sentimentos. Evite canções muito alegres ou tons estridentes. Por isso, para provar um Pinot Noir, a melhor escolha são músicas românticas. Já um Cabernet Sauvignon combina melhor com músicas bravas, que amenizam os taninos característicos do vinho. Uma opção é "People are strange - The Doors".

Vinhos doces preferem músicas com tempo devagar e algum ritmo, tocadas no piano. Vinhos ácidos já caem melhor com melodias rápidas, ritmadas, com instrumentos metálicos. Vinhos salgados também gostam desse estilo, mas preferem músicas em ritmo staccato.

Porém, não se prenda a regras, pois, da mesma forma que podemos descobrir novas combinações de harmonização entre alimentos e vinhos, a música deve seguir a lógica que fizer aquilo que lhe parece bom. Teste as variedades que parecerem boas para você, seguindo suas preferências musicais e de paladar.

A combinação entre música e vinhos deve oferecer, acima de tudo, diversão para os apaixonados pela bebida. Experimente, aproveite e conte pra gente!

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